quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

A Colecção de Ourivesaria da Matriz de Ílhavo

Salva com pé / Autor desconhecido
prata fundida, relevada e incisa /  séc. XVI – 1520
marca de contraste de Lisboa nº2535 C;
marca de ourives I.V; marca burilada de oficina 
227g 14 alt x10,7 diam
    Da colecção de ourivesaria da Paróquia de São Salvador de Ílhavo são de destacar quatro importantes peças: a custódia do Divino Salvador em prata dourada do último quartel de 1500, já descrita nestes artigos; uma pequena salva com pé com marca de punção da cidade de Lisboa de cerca de 1520 também de prata com douramento; o relicário cruciforme do Santo Lenho, seiscentista de prata oxidada; e a píxide de prata dourada de finais de seiscentos (1680 a 1695) com marca de contraste de punção da cidade do Porto.
    Do último inventário efectuado a 15 de Maio de 1911 pela Junta da Paróquia e pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, ou seja, logo a seguir ao assalto da Igreja Matriz em 3 de Maio do mesmo ano (da qual furtaram 3 cálices de prata dourada, uma salva e 2 galhetas com o respectivo prato, 2 resplendores, 1 píxide e cruz de outra, tudo em prata), são referidos com o nº 16 uma custódia grande dourada e nº21 um relicário de prata com Santo Lenho no peso de 175 gramas. Mesmo com estas perdas o inventário de ourivesaria da Matriz conta, actualmente, com cerca de duzentos e vinte objectos inventariados.
Píxide / Autor desconhecido
prata dourada fundida, relevada e incisa
séc. XVII – 1680 a 1695
marca de contraste do Porto
    A pequena salva com pé, de exímio ornato renascentista, foi uma das peças recentemente encontrada e inventariada. Tem base circular com incisões ao torno e vestígios de douramento no rebordo e prato com decoração de enrolamentos vegetalistas e flores-de-lis em fundo pontilhado rodeando uma corola de flor ao centro. É a mais antiga peça de prata do espólio.
    Deparam-se com frequência peças de primeira ordem do século XVI e XVII sem marcas de punção, como a grande custódia do Divino Salvador e a Cruz-Relicário do Santo Lenho de Ílhavo, numa época em que eram usuais, ao passo que se encontram quase sempre nas secundárias. Porquê? Parecem ser razões as seguintes. As peças de categoria eram sempre encomenda dum cabido ou de um dignitário rico; tratava-se dum negócio só entre dois que não necessitava da intervenção e da verificação legal. Muitas vezes forneciam-se ao ourives peças velhas cuja prata era utilizada na peça que se encomendava; a responsabilidade do material era de quem fazia a encomenda, dando o artista só o trabalho; e, neste caso, ainda menos necessária era a intervenção do contraste. Acontecia ter o ourives modelos seus que não queria divulgar; o contrastador sendo ourives também poderia aproveitar a ocasião do ensaio para fazer uma cópia; o comprador tinha ainda a vaidade de possuir uma peça única.

Cruz-Relicário do Santo Lenho / Autor desconhecido
prata oxidada fundida, relevada e incisa / séc. XVII
sem marcas / 467g  41,4 alt x 13,5 larg

    Na colecção de ourivesaria e metais, existem também: uma âmbula para os santos-óleos em estanho, que se crê datar do século XV-XVI; uma coroa de espinhos da imagem do Senhor dos Passos em prata branca do século XVII; dois resplendores em prata do século XVIII; e um conjunto de bom de cruz processional com lanternas e ciriais em prata, adquiridos pela Irmandade do Santíssimo Sacramento e Almas em 14 de Abril de 1882.
Hugo Cálão
in jornal 'Família Paroquial', de Maio de 2006
 

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