quarta-feira, 10 de abril de 2019

Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo: Memória de um século




SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE ÍLHAVO: Memória de um século

No dia 10 de abril de 1919, há precisamente 100 anos, data da reunião que oficializou os seus estatutos, é criada a Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo.

Em 5 de maio de 1919 é iniciada a construção do Hospital de Ílhavo, obra que verá concluída a sua edificação em abril de 1920, com a colocação no cimo da fachada da icónica estátua representando a Caridade, oferecida por D. Maria da Luz Sarrico Teles e executada por António de Freitas, hábil canteiro de Aveiro.

Num Ílhavo onde todos se conheciam, este constante empreendimento foi labor da necessidade de dar resposta às faltas de cuidados de saúde e bem-estar, quase inexistentes até então, cumprindo a visão caritativa de dois principais pioneiros fundadores: Viriato Teles e Samuel Maia.

A atuação da Santa Casa de Ílhavo é um percurso atribulado, onde a dificuldade económica e financeira sempre colocou em risco a capacidade para tratar corretamente os doentes e desfavorecidos, situação agravada principalmente na década de 40 do século XX, pelos efeitos nefastos da II Grande Guerra Mundial, e que seria minimizada com as esmolas e dádivas recolhidas pelos ilhavenses (residentes e no estrangeiro: Brasil, Canadá, Newark, Nova Jersey, Califórnia) nas anuais festas de beneficência, bailes e cortejos de oferendas (1946-1966),  memórias que perduram na lembrança dos mais antigos.

Os médicos, enfermeiros, os cuidadores do passado e do presente, assim como as muitas faces que assumiram o pulso das decisões das várias provedorias, - prestando homenagem e recordando por ordem: Dr. Samuel Tavares Maia (1919), Viriato Teles (1920-27), Prof. João Marques Ramalheira (1927-30), Dr. Eduardo Vaz Craveiro (1930-41), Dr. Vítor Manuel Machado Gomes (1941-44 e 1953-57), Pe. Alberto Tavares de Sousa (1945-46), Cap. Francisco António de Abreu (1946-52), Dr. António Joaquim da Silva Lopes (1957-65), Dr. José Cândido Vaz (1965-66), João Fernandes Vieira (1966-71), Arlindo dos Santos Ribeiro e Silva (1981-99), Prof. Fernando Maria da Paz Duarte (1999-2010), Eng. João Manuel Pereira da Bela (2011-12), Álvaro Manuel da Rocha Ramos (2014-17) e Prof. Margarida São Marcos (2017-19) - , por entre os muitos obstáculos, souberam sempre melhorar qualidade dos serviços prestados (de saúde, de assistência às crianças e aos doentes terminais) e fazer da Santa Casa de Ílhavo ”lugar” de entre ajuda e de solidariedade a todos, indiscriminadamente, como diria o médico Louis Pasteur – “Não se pergunta a um infeliz: De que religião és tu? Diz-se-lhe: Tu sofres e isso é suficiente. Tu pertences-me e eu te aliviarei!”  

Sabemos que são muito parcos os recursos de uma instituição que atualmente emprega 143 funcionários, que quer fazer mais, e que sobrevive de protocolos de colaboração.

Através da História observa-se que a caridade exercida pelas Misericórdias é uma necessidade social. E sendo uma necessidade social é um alicerce da vida caritativa nacional.
A palavra Misericórdia tem este duplo sentido de ajudar, de dar proteção e o de perdoar e compreender. É esta a base e rumo de orientação desta instituição que, localmente, em cada concelho, atua para suprir as necessidades e carências sociais.

As Santas Casas, pelo testemunho das suas obras, pela sua exemplaridade, pela coragem, pela persistência, pela coesão institucional, contra a indiferença, a apatia e o inconformismo, e com o imperativo do rigor, continuarão a ser instituições fundamentais da sociedade portuguesa.

Hoje, recolhendo todos os elementos que nos falam da nossa Santa Casa de Ílhavo (brevemente publicados em livro), visto ter sido pouca a salvaguarda patrimonial e arquivística desta instituição, constatamos que só se consegue reconstruir a memória destes 100 anos recorrendo às noticias do jornal “O Ilhavense”.

Sem dinheiro não se faz o que a nossa vontade pretende, mas acreditamos que há sempre pessoas de bem que surgem na altura própria para colaborar.

Pelo jornal “O Ilhavense”, fio condutor da nossa memória, e pela Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo, como assinantes ou como irmãos, saibamos acudir!

Hugo Cálão
Mestre em História e Património
10 de Abril de 2019

segunda-feira, 1 de abril de 2019

De Madrugada (Costa Nova)

I
Amanhã de madrugada, de madrugada,
Vai ter à beira do mar, de madrugada,
Nossa família é culpada, de madrugada,
Dos passos que vamos dar, de madrugada.

Ref:
Ai amor, amor, amor,
Amor, amor de madrugada

II
Oh mar alto, oh mar alto,
Oh mar alto sem ter fundo,
Mais vale andar no mar alto,
Do que nas bocas do mundo.

III
Oh Costa Nova do Prado,
Oh pedra do paredão,
Oh costa de São Jacinto,
Onde os meus amores estão.

IV
Oh Costa Nova do Prado,
Que és praia de singeleza,
Não há praia assim tão linda,
Nesta costa portuguesa.

V
Oh Senhora da Saúde,
A vossa capela cai,
Ajuntai as moças todas,
Tirai-lhe as telhas tirai.

VI
Oh Senhora da Saúde,
Mandai varrer as areias,
Que enchem os meus sapatos,
E eu estrago as minhas meias.

VII
Oh Senhora da Saúde, 
A vossa capela cheira,
Cheira a cravos, cheira a rosas,
E a flor  de laranjeira.

VIII
A Senhora da Saúde,
Tem uma maçã na mão,
Para dar a seu menino,
Quando ele vier da lição.

IX
Nossa Senhora faz meia,
Com linha feita de luz,
O novelo é lua cheia,
As meias são pra Jesus.

X
Comprei a vosso menino, 
Uma fitinha pro chapéu,
Ele também me há-de dar,
Um lugarzinho no Céu.
Olha a Gafanha

Nossa Gafanha tão linda,
De beleza infinda, graça de Jesus,
Tem coisas muito belas, tem muitas donzelas,
Resplandece de luz.

Ref:
Olha a Gafanha que bonita que ela é,
Vai brilhar desde o Carmo á Nazaré,
Encarnação essa é que mostra a prova,
Não há terra mais bonita de Aveiro, a Costa Nova!

Ai Gafanha, terra da minha paixão,
Ai Gafanha, vives no meu coração, 
Ai Gafanha, terra de encanto e beleza,
Ai Gafanha, linda aldeia portuguesa.




Senhora da Costa Nova

Senhora da Costa Nova,
Capelinha à beira mar,
Mandai-nos abrir a porta,
Para nela ir morar.

Lá vem o luar,
Por entre os pinhais,
Adeus meu amor,
Para nunca mais.

Esta é que era a moda, 
Que eu ouvi cantar,
Lá na Costa Nova olaré,
À beira do mar.

Costa Nova

Sou Costa Nova do Prado,
Praia de singeleza,
Não há praia assim tão bela,
Nesta praia portuguesa.

O sol, esse astro de luz,
Que a lua não branqueia,
O mar brilhante que me beija,
Linda paisagem de ria e maré cheia,
Aragem fresca que me bafeija.

Sou a Costa Nova do Prado,
Uma praia sem igual,
Com as belezas que tenho,
Não há outra em Portugal.


terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Rol de Confessados da Gafanha da Encarnação de 1928

(organizado por ordem alfabética)

Encarnação Norte

Abílio da Silva 02-11-1892
mulher, Maria dos Anjos 26-01-1896
filho, José 21-09-1924
sogra, Joana 10-1849

Adelino da Graça 07-04-1911
mulher, Maria 28-10-1913
filha, Maria Alice 01-02-1934

Adelino Gandarinho 11-10-1904
mulher, Maria 25-08-1903
filho, João 02-08-1929
filho, António Maria 24-10-1930
filho, Manuel 12-09-1932
filho, Mateus 14-12-1934

Adelino dos Santos Marujo 28-02-1895
mulher, Conceição 07-03-1891
filho, José 28-03-1921
filha, Rosa 26-08 1924
filha, Maria 12-12-1928
filha, Alice 28-07-1931

Álvaro Ramos Novo 07-12-1910
mulher, Ascenção 06-10-1910
filho, Marcial 21-11-1936

Adelino da Silva Cardoso 14-01-1902
mulher, Maria da Luz 09-01-1909
filho, Manuel 10-01-1931
filho, João 19-10-1932
filha, Maria Augusta 11-03-1934
filho, João 26-07-1936

Alberto Fernandes Casqueira 07-11-1906
mulher, Preciosa 04-05-1903
filho, Manuel 26-07-1928
filha, Maria do Carmo 27-08-1932
filha, Alice 21-06-1935

Amadeu Francisco Corujo 12-09-1895
mulher, Carmina 11-02-1899
filha, Maria 20-12-1922
filho, Manuel 02-07-1924
filho, João Mário 18-09-1928
filho, José 04-12-1931
filho, David 18-03-1934

Ana, viúva de João da Silva Caçoilo 1865

Ana, viúva de Manuel Carvalho 06-1859
filho, João 1901

Ângelo Ferreira Ribau 25-09-1912
mulher, Maria Rosa 15-10-1911
filha, Maria da Conceição 04-12-1934
filha, Maria da Ascenção 27-09-1936

Ângelo Figueiredo 13-10-1906
mulher, Ana 1903
filha, Rosa 29-11-1928
filha, Maria 22-02-1933
filho, Manuel 19-03-1934
filho, Victorino 08-03-1936

António Bernardo 07-12-1862
mulher, Balbina 09-05-1874
filha, Manuel Maria 30-04-1910
filha, Preciosa 08-01-1914
filha, Rosa 20-09-1907
filha, Maria da Luz 16-01-1919

António Caçoilo 24-03-1870 (exposto)
mulher, Maria Clara 13-08-1874
filho, João 08-03-1905

António Almeida Carapelho 04-03-1903
mulher, Maria 27-08-1886
enteado, José 24-10-1911
filho, Joaquim 12-12-1913
filho, Manuel 30-09-1919
filha, Laurinda 30-06-1923

António da Costa 20-12-1860
mulher, Joana Rosa 03-1859

António Dias dos Santos 14-06-1889
mulher, Maria

António Domingos Salvador

António Francisco Roque

António Fernandes Figueiredo

António Maria Gafanhão

António Lopes Conde

António Nunes Ribau

António Piôrro Novo

António Maria Cruz Figueiredo

António Nunes Ribau

António Piôrro Teixeira

António Maria da Silva Cardoso

Ângelo Ferreira Ribau

António das Neves Pessoa

António Luís Ferreira

António Ramos

António dos Santos Esgueirão

António dos Santos Marujo

António Rodrigues Ferreira

António dos Santos Tomás

António da Silva Mateiro

António da Silva Mateiro

António da Silva Matos

António Tomáz de Figueiredo

Artur Bechina

Augusto Roque

Augusto das Neves

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Os Almadas (da Casa da Índia) donatários e Senhores de Ílhavo

Em 1696 D. Maria Antónia de Almada, casada com D. Bernardo de Noronha, adquire a Quinta da Má Partilha em Azeitão, Setúbal, que a junta, mais tarde, ao morgadio do Outeiro da Boavista, que possuía em Lisboa, e ao dos Arneiros, que instituiu em Azeitão; Por morte de D. Bernardo, a sua viúva passou a residir permanentemente em Azeitão. Tiveram, entre outros filhos, D. Teresa de Noronha, que enviuvando de D. António de Noronha veio viver com sua mãe. Em 1713 D. Maria Antónia de Almada virá a Ílhavo fazer posse da Igreja e da Vila. Em 1720 morre D. Maria Antónia de Almada. A filha volta para Lisboa, sendo a primeira mulher de Sebastião José de Mendonça, mais tarde Marquês de Pombal, na altura um pobre fidalgo de pouca grandeza e descendente de uma índia brasileira o que veio a criar grande consternação na família. Daí alguma das estreitas ligações entre Ílhavo e o Marquês de Pombal, visto sua mulher D. Teresa de Noronha e Bourbon Mendonça e Almada ter contratado para Lisboa mão de obra para a sua casa naquela que era a sua Vila de Ílhavo. Sucede-lhe, na administração da Quinta da Má Partilha de Azeitão, D. Francisco de Almada, que, tendo nascido em 1700, casou em 1716 com D. Guiomar de Vasconcelos, filha do 6º Conde de Calheta, e faleceu em 1730. D. José da Silveira, último provedor da Casa da Índia, senhor de Carvalhais e Ílhavo, Verdemilho e Avelãs, 1º Conde de Carvalhais, foi um convencionado de Évora-Monte, o que limitou muito a sua fortuna e só não conduziu à perda da Quinta da Má Partilha porque seu feitor e grande amigo António de Almeida Sales, que exercia o cargo do vereador em Azeitão, se tomou seu depositário. Em 1854 morre o Conde de Carvalhais, senhor de Ílhavo, Verdemilho e Avelãs e em 1878 morre o seu último filho, sendo a quinta e outros bens de Azeitão deixados a Alberto James Gomes de Oliveira, vizinho a quem os Almadas estavam ligados por estreitos laços de amizade.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Párocos naturais de Ílhavo: Cónego José Cândido de Oliveira Vidal

O Cónego José Cândido de Oliveira Vidal nasceu em Ílhavo no lugar de Vale de Ílhavo a 11 de Março de 1829, condiscípulo do arcebispo José António Pereira Bilhano. Fez o curso teológico no seminário de Aveiro, celebrando a primeira missa em 6 de Outubro de 1851. Iniciou a sua paroquialidade na Igreja de Oliveira do Bairro em junho de 1852, voltando para Ílhavo em Junho do ano seguinte por falta de saúde. Em Junho de 1854 foi nomeado para a Escola Primária de Vale de Ílhavo, então criada de novo e em 1856 transferiu-se para a Escola de Ílhavo. Quando em 1871 D. José António Pereira Bilhano foi para Évora como arcebispo, escolheu-o para seu secretário o seu antigo discípulo e nomeou-o desembargador da relação eclesiástica. Em 1877 foi nomeado pároco da freguesia da Glória, de Aveiro, onde os seus serviços foram inexcedíveis. Em 1879 foi escolhido pelo governador do bispado de Aveiro para professor de uma das cadeiras do curso das ciências eclesiásticas que regeu até à sua extinção em 1884. Com a extinção do Bispado de Aveiro, em 1882, foi nomeado arcipreste e diretor do curso eclesiástico até 1884 por determinação do Bispo de Coimbra, que no ano seguinte, lhe concedeu as honras de cónego. Em 1885 foi nomeado diretor do Liceu Nacional de Aveiro, lugar que desempenhou até à sua morte. A terra que lhe serviu de berço, serviu-lhe também de sepultura, como desejava. Faleceu em Ílhavo, onde quis acabar os seus dias, a 22 de março de 1892

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Párocos naturais de Ílhavo: Arcebispo José Pereira Bilhano

O Arcebispo de Évora, José António Pereira Bilhano, nasceu em Ílhavo no dia 22 de Março de 1801 e aqui faleceu, também, a 18 de Setembro de 1890. Foram seus pais João António Bilhano e Rosa Maria de Jesus, casal de pescadores de reconhecida pobreza. Bem novo se inclinou para a vida eclesiástica, mas os poucos haveres de sua família e a morte prematura de seu pai vieram agravar a situação familiar os seus estudos. O seu conterrâneo Dr. Manuel Rocha Couto, ilustre deputado por Aveiro nas legislaturas de 1822/23 e 26/28, reconhecendo-lhe a vocação, e mais que tudo a inteligência, apresentou-o um dia ao bispo de Aveiro D. Manuel Pacheco de Resende, que o tomou sob a sua proteção.
Formou-se em Cânones na Universidade de Coimbra com 22 anos.
 Por morte de D. Manuel Pacheco de Resende, bispo de Aveiro em 17 de Fevereiro de 1837, o então Pe. José António Pereira Bilhano sofreu com esse acontecimento profunda depressão moral, tendo pedido exoneração de todos os cargos que desempenhava, tendo-se retirado para a sua modesta casa de Ílhavo, dedicando-se com a colaboração do padre Fernando Eduardo Pereira, ao ensino de Francês, Latim e Latinidade, História, Geografia, Lógica e Retórica, trabalho que exercia de forma gratuita. Como nessa altura havia poucos estabelecimentos de ensino secundário, Ílhavo tornou-se um grande centro de instrução e de cultura, graças à ação do Arcebispo. Em 1849 foi nomeado pároco de Oliveirinha; e em 1851 provido por concurso na igreja de Ílhavo. Foi eleito deputado pelo círculo de Aveiro em 1853, em companhia de Mendes Leite e Francisco Resende. Em 21 de Fevereiro de 1860 foi-lhe novamente confiado o cargo de vigário-geral do bispado de Aveiro, que exerceu até 17 de Março de 1868, época em que alguns políticos valiosos do distrito o obrigaram a demitir-se, visto não querer cometer a indignidade e violência de forçar os párocos do círculo de Anadia a patrocinar a eleição de um deputado que disputava o mesmo ao conselheiro José Luciano de Castro. Em 21 de Outubro de 1869, sendo ministro da justiça aquele estadista, foi por ele nomeado arcebispo metropolitano de Évora. Partiu para Évora no dia 7 de Junho de 1871 e fez a sua entrada solene no dia 8. Em 1862 estando interrompidas as relações entre Portugal e a Santa Sé, foi-lhe por Gregório XVI delegada a autoridade e jurisdição necessária para todos os negócios espirituais da Diocese de Aveiro, recebendo aquando do restabelecimento das relações carta autografada de sua Santidade agradecendo e reconhecendo os relevantes serviços que prestara à Igreja. O seu governo da Diocese de Évora foi distinto como se pode ver pelas inúmeras medidas adotadas: tomou contas aos conventos, que se não davam desde 1850, obstando assim abusos dos procuradores; acabou com a diversidade de rituais, fazendo adotar o de Paulo VI; obrigou todos os sacerdotes menores de 50 anos a fazerem exame de teologia moral, o que era coisa de que não havia memória no arcebispado, decisão que lhe acarretou grandes desgostos, mas cumprida sem uma única exceção; elevou ao dobro o rendimento da Bula da Santa Cruzada; criou o quadro da Relação e nomeou juízes para este e para o Tribunal da secção Pontifícia, fez a proposta dos juízes à Nunciatura (note-se que havia causas nestes tribunais que à 5 anos não se julgavam por falta de juízes); regulou a forma dos processos e uniformizou uma tabela de emolumentos; criou o lugar de escrivão do contencioso que mão havia no Juízo Eclesiástico; regularizou a tabela da Câmara Eclesiástica; fez à sua custa um Tombo novo das propriedades da Mitra e registou todos os foros na conservatória, também do seu bolso; obrigou todos os párocos a fazerem Rol de Confessados, o que tinha caído em desuso; publicou diversas pastorais sobre residencias dos párocos, catequese, etc. Amigo íntimo de José Estêvão não levava à conta de sacrifícios todas as dedicações que lhe tributou nas situações tempestuosas da sua agitada vida politica. Nas eleições de 1962, quando Aveiro parecia esquecer o seu filho mais ilustre, o arcebispo Pereira Bilhano lançou-se a salvar de vergonha a terra que com tanta ingratidão pagava os benefícios do eminente tribuno, presidindo ao seu funeral em Fevereiro de 1866 e inaugurando o monumento aos mártires da liberdade justiçados em 1829. Governou a Arquidiocese eborense até à sua morte, em 1890, tendo sido coadjuvado nos últimos anos por D. Augusto Eduardo Nunes, que veio a ser o seu sucessor. O Arcebispo aveirense D. João Evangelista de Lima Vidal, bispo de Aveiro, a respeito do Arcebispo Pereira Bilhano escreveu: "morreu em Ílhavo em conceito de santidade. Ainda se conserva, no Museu de Aveiro, a mitra que ele trouxe com pia nobreza na fronte e a cruz episcopal, que lhe aqueceu de virtudes o peito. Será lenda o que se dá conta à hora do meio-dia, quando as chaminés fumegavam do gordo aroma do caldo, ele subia ao mirante da sua casa e pesquisava com um binóculo se alguma porventura estava morta, no meio das outras, desse penacho de fumo pronunciador; e se alguma avistava assim triste, logo corria a dar-lhe a vida que lhe faltava. Pode ser lenda, mas a verdade é que só à volta dos santos as graciosas lendas se tecem. Não é ornato, este das lendas, para todo e qualquer." 

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Párocos de Ílhavo: Pe. José Monteiro de Bastos

O Pe. José Monteiro de Bastos foi natural da então vila de Aveiro, filho de António de Bastos, licenciado em Medicina e de Teresa Monteira, neto paterno de Domingos de Bastos, pintor e de Maria Madalena e materno de Cláudio Monteiro Franco, familiar do santo Ofício da Inquisição de Coimbra e de Maria Gaspar, todos naturais e moradores em Aveiro, à exceção da avó materna natural de Coimbra. Foi irmão do ilustre Faustino Xavier de Bastos Monteiro, Morgado do Buragal em Aradas, bacharel em leis pela Universidade de Coimbra e familiar do Santo Ofício. Foi prior da igreja de Ílhavo.

Párocos de Ílhavo: D. António dos Santos 1967-1979

D. António dos Santos nasceu a 14 de Abril de 1932 no lugar da Quintã, paróquia de Santo António de Vagos. Frequentou os seminários de Aveiro e dos Olivais em Lisboa. Fez a sua ordenação sacerdotal na igreja paroquial de Albergaria-a-Velha em 1 de Julho de 1956 pelo bispo de Aveiro D. João Evangelista de Lima Vidal. Iniciou a sua atividade pastoral como coadjutor na paróquia de São Salvador de Ílhavo em 25 de Setembro de 1956 passando a coadjutor da paróquia da Branca em 5 de Setembro de 1961. Foi nomeado pároco da Paróquia de Oiã em 31 de Dezembro de 1963 sendo nomeado em 29 de Agosto de 1967 pároco da Paróquia de Ílhavo, sendo seu arcipreste em 19 de Setembro desse ano. A 2 de Junho de 1975 foi nomeado Vigário-geral da Diocese de Aveiro. Foi por nomeação eleito para Bispo da Diocese da Guarda em 6 de Dezembro de 1979, fazendo a sua entrada solene na Diocese a 2 de Fevereiro de 1980 resignando a sua pastoral, aceite pelo Santo Padre Bento XVI, a 1 Dezembro de 2005. Faleceu 26 de Março de 2018, sendo sepultado dia 28 no cemitério do Corgo do Seixo de Cima, paróquia de Santo António de Vagos.


Párocos de Ílhavo: Pe. Sebastião António Rendeiro 1965-1967

O Pe. Sebastião António Rendeiro nasceu em 17 de Abril de 1931, no Monte, concelho da Murtosa. Frequentou os seminários de Aveiro e dos Olivais em Lisboa. Fez a sua ordenação sacerdotal em 3 de Julho de 1955 na igreja paroquial de Avanca pelo bispo de Aveiro D. João evangelista de Lima Vidal. A 11 de Outubro de 1955 começou a coadjuvar a Paróquia de São Salvador de Ílhavo e em 12 de Setembro de 1963, residindo em Aveiro, foi professor de Religião e Moral na Escola Industrial e Comercial de Aveiro e assistente da Ação Católica de Aveiro. A 19 de Outubro de 1965 foi nomeado pároco e arcipreste de Ílhavo. Foi dispensado dos serviços paroquiais em Ílhavo em 29 de Agosto de 1967 para se preparar para o trabalho de Diretor Espiritual do Seminário de Aveiro. A 15 de Outubro de 1967 retirou-se para Roma frequentando o Ateneu Salesiano. Foi nomeado Diretor Espiritual do Seminário de Aveiro em 1 de Outubro de 1968 sendo seu vice-reitor em 31 de Julho de 1970. Em 29 de Setembro de 1975, tendo sido desligado do múnus anterior, foi escolhido para chefe de redação do jornal "Correio do Vouga".

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Párocos naturais de Ílhavo: Pe. Manuel Francisco Grilo

O Padre Manuel Francisco Grilo nasceu em Ílhavo em 4 de Maio de 1888, filho de mãe padeira e de pai marítimo, embora radicado em Matosinhos desde os 24 anos de idade. Formou-se no seminário de Coimbra e possuía também os cursos de Agronomia e do Conservatório de Música do Porto. Foi ordenado em 1910, com 22 anos. Era ainda um pintor de rara beleza. Pelas suas ideias inovadoras a vários níveis, que costumava aplicar na ajuda aos mais desfavorecidos, incompatibilizou-se com as «altas esferas» civis, o que o levou a ser julgado, condenado e expulso do Distrito de Aveiro, em 1913. Foi então viver para Leça da Palmeira, em casa de família, e em 1928 fundou a Conferência de S. Vicente de Paulo, de onde brotou a Sopa dos Pobres, que chegou a alimentar e a vestir 680 pessoas da classe piscatória. Cria, entretanto, um refúgio para crianças abandonadas, as Escolas Católicas e o Secretariado do Desemprego. Mais tarde, funda a Obra Regeneradora dos Rapazes da Rua, em 1942. Faleceu na tarde do dia 1 de Novembro de 1967, festa de todos os santos, sendo sepultado num recanto da Obra Regeneradora dos Rapazes de Rua, junto à Capela na tarde do dia 2.