segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Mercado de Ílhavo

Mercado de Ílhavo, construído no local da demolida Capela das Almas, foto c. 1930



























O Mercado da Praça da República em Ílhavo



Entrevista à Sr. D. Maria Pereira Chuvas Gordinho c. 1988 (à data 92 anos):

 -- O mercado foi construído em 1912, no local onde existia a Capela das Almas de Ílhavo, demolida em 1911. A minha mãe (Felicidade Pereira de Jesus) era a juíza de Santo António da Capela das Almas, assim como o Sr. Azevedo, avô da Prof. Maria Vitorina de Azevedo. Existia, além desta, outra irmandade que se chamava Ordem Terceira de São Francisco de Ílhavo e havia uma certa rivalidade entre ambas as irmandades. Para construírem o mercado foi tudo arrasado. Das imagens dos santos que lá havia, a de São Francisco foi levada por uma irmã para sua casa e a de Santo António foi levada pelo juiz da irmandade que era o Sr. Azevedo. Nessa altura pertencíamos à Diocese de Coimbra. Um Juiz e um mordomo foram a Coimbra pedir autorização ao Sr. Bispo para colocar na Igreja Matriz a imagem de Santo António. Com a autorização, veio a necessidade de construir um altar, aproveitando o da antiga Capela demolida, que ainda hoje se pode ver na nossa igreja. A imagem de Santo António foi levada para o seu altar, numa bonita procissão com anjos e tudo.
Depois de demolida a Capela das Almas construíram o primeiro mercado fechado, que por sinal não era totalmente coberto. Nessa altura as roupas eram feitas todas à mão e em casa não havia electricidade e as pessoas utilizavam a luz dos candeeiros de petróleo. Também havia senhoras que faziam sapatos em casa, comprando solos de borracha e pano para os fazerem.

-- A senhora costumava frequentar diariamente o mercado?
       -- Eu costumava ir com a minha mãe vender castanhas, azeitonas, queijinhos, etc. As castanhas vinham de uma aldeia perto de Trancoso, chamada Terranho, duma firma com o nome de José de ribeiro Neto & Filhos. Os queijinhos vinham de Cantanhede.

-- O mercado era realmente ao ar livre?
      -- O mercado era ao ar livre onde hoje são os passeios junto da actual Sopanilde.

-- As pessoas tinham uma área grande para se poderem instalar?
      -- Era só o passeio que vai da Sopanilde até aos Amadores e levávamos um banquinho para nos sentarmos.

-- Onde eram expostos os seus produtos?
      -- Os produtos para venda eram expostos no chão, nos degraus das casas em tábuas colocadas sobre pedras e alguns já levavam as suas barraquinhas.

-- Pagavam imposto por ali estarem instaladas?
      --Cada vendedor pagava uma senha para ocupar um espaço e expor os produtos.

--Que outros produtos eram vendidos?
      -- Os produtos que se vendiam vinham da agricultura, da ria, do mar e também de fora.

-- Qual o preço de alguns produtos?
      -- Não me lembro exactamente dos preços, mas sei que naquele tempo as castanhas se vendiam ao litro e a moeda era o real.

-- Qual o transporte que as pessoas utilizavam para transportar os produtos?
      -- Os produtos eram transportados à cabeça e em carroças puxadas por cavalos. 

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