Lugre bacalhoeiro Náutico junto à seca de bacalhau na Gafanha, 1903 (fotografia de Arnaldo Ribeiro) |
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| Seca de bacalhau na Gafanha, in boletim Arquivo do Distrito de Aveiro |
A religiosidade, o culto ao padroeiro, São Salvador, e o subsequente legado de arte sacra do concelho de Ílhavo, são a história continuada e a mais real prova da fé do povo e agregação social. A história da cidade não se escreveria, nem se conheceria, sem estes mil anos de registos documentados sobre a ação da Igreja em Ílhavo.
Lugre bacalhoeiro Náutico junto à seca de bacalhau na Gafanha, 1903 (fotografia de Arnaldo Ribeiro) |
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| Seca de bacalhau na Gafanha, in boletim Arquivo do Distrito de Aveiro |
Como relata o jornal “O ilhavense” o
lugre de três mastros “Gafanhoto”
saíra do Porto com carregamento de cimento
com destino à barra de Aveiro. Ao aproximar-se de Aveiro foi colhido pelo mau
tempo e, fazendo-se ao largo, nunca mais foi visto. Sem mantimentos, sem meios
de segurança, a sua sorte começou a preocupar toda a gente. Confiava-se na
valentia do capitão, mas, perante os elementos desencadeados, começava-se a
perder esperança de salvamento. Alguns dias depois recebeu-se um telegrama
anunciando que o “Gafanhoto” atracara em Leixões com grave avaria. Renasceu a alegria
em muitos corações e secaram-se em muitos olhos as lágrimas. Os tripulantes do
navio, que viram a morte diante dos olhos, no momento agudo do perigo
ajoelharam no convés do barco e prometeram mandar celebrar missa e sermão ao
Senhor Jesus dos Navegantes, se fossem salvos. Cumpriram a sua promessa no dia 29
de Janeiro de 1933, celebrando na igreja paroquial de Ílhavo, missa com
sermão do reverendo padre António Alves e acompanhamento da orquestra da
Filarmónica Ilhavense. O quadro oferecido do pintor ilhavense Palmiro Peixe mostra,
como habitual, no canto superior esquerdo, a imagem Senhor Jesus dos Navegantes
envolto em raios de luz com legenda retangular – “Lugre Gafanhoto" / Ao
Senhor Jesus dos Navegantes oferecem: o Capitão Amândio Mathias Lau e
tripulação.
O lugre Gafanhoto foi construído em 1919
por Joaquim Dias Ministro em Pardilhó e teve como primeiro armador Bagão &
Ribaus, Lda. Após este episódio foi reparado e rebatizado de San Jacinto e motorizado
para a campanha de 1934. Navegou até 1952. Expõe-se hoje
no Centro de Religiosidade Marítima, extensão do Museu Marítimo de Ílhavo, que materializa,
pela primeira vez em Portugal, um percurso permanente musealizado de
valorização do património religioso da vivência da comunidade local com a
cultura do mar associada à maritimidade e à pesca do bacalhau.
https://www.cm-ilhavo.pt/cmilhavo2020/uploads/document/file/8292/agenda_janeiro2022.pdf
E debaixo dum céu de azul sereno,
Vê-se um navio todo branco,
A que dá movimento um zéfiro ameno.
Mas ei que tristes nuvens pardacentas
Começam a aparecer na imensidade;
Os ares escurecem, ventania,
E surge, então, no mar a tempestade.
Sobem vagalhões até ao céu
Em raiva imprecação que faz tremer,
Levantando no dorso o batel,
Que vê a hora ali de se perder.
Já não acode ao leme, vela grande,
Mezena e gávea, tudo foi levado,
Ficando agora, assim, casco tristonho,
Na verde imensidão desarvorado.
Trovões e vendaval e chuva e noite,
Só da faísca a aterradora luz.
O marinheiro, então, ajoelha, em ânsia,
E grita para o céu: - Senhor Jesus!
Senhor Jesus! salvai-me, senão morrem
Meus filhos de fome e a mãe doente;
Senhor Jesus! que tendes todo o mundo
Na palma dessa mão omnipotente!
- Nisto, voz retumbante, qual trovão,
Manda as ondas e ventos amainar;
Desponta o sol risonho, e só a brisa
Os beijos estende pelo mar! ...
E ali boiando como um alvo cisne
Em lago, por manhã de primavera,
Dalgum vapor que por ali passe, o barco
Auxílio e condução, com fé, espera.
- Lá vem! - gritam, chorando de alegria.
Pára o vapor, e leva então, consigo
O barco juntamente com os seus homens
Ao porto desejado e ao lar amigo!
É pois ardente a fé do nauta de Ílhavo
No seu Senhor Jesus, o Salvador,
Que os seus rogos escuta, na tormenta,
Que lhe abre o coração cheio de amor!...
63 a.C. - Registo de um sismo na Península Ibérica.
60 a.C. - Registo de um sismo na Península Ibérica.
382 d.C. - Registo de um sismo na Península Ibérica.
996 - Foi sentido em Portugal um grande tremor de terra.
1048 - No Minho e na Região centro do território português houve um grande tremor de terra.
1138 - Ocorreu um violento sismo no norte de Portugal caindo as duas torres da igreja da Sé Primaz de Braga edificadas no tempo do Conde D. Henrique, estando a Sé ainda incompleta no tempo de D. Afonso Henriques. Este terramoto foi tão violento que desmoronou quase por completo o castelo de Lanhoso e fez grande ruína no castelo de Guimarães que el Rei D. Afonso Henriques mais tarde, a expensas suas mandou reedificar.
1321 - O sismo de Lisboa de 1321 foi um violento terramoto. Ocorreram três abalos sísmicos em três horas. Vários edifícios ficaram destruídos, incluindo a capela-mor da Sé de Lisboa.
1337 - Sismo registado em Lisboa.
1344 - Sismo registado em Lisboa.
1347 - Sismo registado em Lisboa.
1356-08-24 - O sismo de Lisboa de 1356 foi um violento sismo que atingiu, entre outras, a zona de Lisboa no final do dia, uma quarta-feira, dia de São Bartolomeu. Durou um quarto de hora e vários edifícios ficaram destruídos, entre os quais os quatro fornos que coziam pão da cidade de Lisboa e as grandes maçãs de bronze do campanário da catedral de Sevilha. As réplicas sentiram-se durante um ano. Este desastre natural é referido por exemplo no Livro da Noa, que pertenceu à biblioteca do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, no Livro das Lembranças, na Crónica de D. Pedro I de Castela e na Chancelaria de D. Pedro I. A grande maioria dos autores acredita que este sismo teve origem no mar Atlântico, no Banco de Gorringe, a sudoeste do cabo de São Vicente. O acontecimento foi esquecido pela maioria das pessoas até ter sido encontrada, já no século XXI, uma inscrição que fazia alusão ao sucedido, na parede da Torre do Paço, no Castelo de São Jorge.
1512 - Sismo registado em Lisboa.
1528 - Houve um violento sismo perto da Batalha em Alcobaça.
1531-01-26 - O sismo de Lisboa de 1531 foi um violento terramoto e posterior tsunami que resultaram em aproximadamente 30 000 mortes. Foi sentido em todo o país.
1722-12-27 - Sismo registado em Loulé e Tavira com magnitude 7 (eR)
1724 - Sismo registado em Lisboa.
Fontes:
Alveirinho Dias, J., SIMOS: Sismicidade de Portugal, 2000Com destino a Saint-Pierre e Terra Nova, foram ultimamente despachadas 1.099 toneladas de sal comum no valor de 1.110$000 reis. Em fevereiro haviam já sido exportadas 3.279 toneladas daquele produto, tendo o valor de reis 3.299$200. O sal exportado pelos preços do país no ano findo obteve o valor representativo de 160.575$000 reis correspondente a 148.652 toneladas. A nossa principal exportação foi para França, Inglaterra, Suíça e Noruega, sendo o das marinhas de Aveiro e Ílhavo a de maior quantidade.
(in jornal Campeão das Províncias 1903, fotografia de postal de Paulo de Brito Namorado, c.1906)
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Bilhete postal de 1903 de cliché de Paulo de Brito Namorado, nº18 da coleção Ílhavo editada pela Papelaria e Tipografia Paulo Guedes e Saraiva, Rua Áurea 80, Lisboa |
Capela de Nossa Senhora das Navegantes / Capela do Forte da Barra de Aveiro
| Vista do forte da Barra de Aveiro, vendo-se à esquerda a Capela de Nossa Senhora dos Navegantes, c.1930 |
| Fachada antes do restauro de 1996 |